25 de agosto de 2009

Aquilo Menos Tudo

A gente abusa das mãos dadas no cinema, ainda mais quando chove ou faz frio. O ombro dele é meu, o meu é dele, e tudo vai bem assim já há uns bons meses. Ele faz coisas que eu curto, tipo não me deixar dirigir, enfiar o cartão na carteirinha de couro sem nem me deixar ver a conta e imitar minha compulsão pela minha franja. Eu faço coisas que ele gosta, tipo carinho na perna, servir mais vinho quando o garçom some e ficar que nem monga alongando enquanto ele corre e paquera peruas acéfalas no parque. E nada disso me enlouquece, considerando que tem semanas que ele some e eu nem mesmo percebo. Quer dizer, perceber eu percebo, mas não chego a sofrer por isso. Talvez um pouquinho, mas um pouquinho eu já sofro só de fazer a troca de ar dentro das minhas narinas. O fato é: nada até aqui é culpa ou desleixo ou abuso dele e isso possibilita nosso lindo e calmo relacionamento sem pau.
Algumas mulheres acreditam no sexo com o pau amigo, o homem limpinho que aparece de vez em quando só pra dar uma comidinha e tchau. Eu acredito no sexo com o amigo sem pau. O homem que aparece de vez em quando e te busca em casa, abre a porta do carro, elogia sua roupa, escolhe os melhores ingressos, faz você morrer de rir, conversa sobre tudo, dá conselhos, cuida de você, sobe com você até seu apartamento, curte um som, dorme de conchinha, te abraça forte e…vai embora. Isso sim é dar uma, ao meu ver. O trepar e jogar fora da mulher é se sentir amada sem ter que dar.
Pau nunca pode ser amigo, pense bem. Experimente encontrar, sem querer, seu pau amigo num jantar romântico com uma mulher. Você não gosta do cara, não quer namorar o cara, ele é mala, burro, ele é só um pau. Você só usa o cara e está super segura nesse papel. Mas só porque você e ele, juntos, dividiram um pau, algo dentro de você, ainda que pequeno (pois é) quer ir até a mesa do fulano e fazer um escândalo: ahhhhhh me comeu e agora tá com outraaaaaaaa! Como assiiiiiiim seu desgraçaaaadoooo! Se bobear dá até pra chorar de rímel borrado achando que é amor. Mulher e pau não são compatíveis. Homem é a melhor companhia do mundo, acreditem, mas o pau dele não. Pau é a desgraça humana. É o elemento descentralizador do controle da alma. É o conflito personificado numa espada de guerra. É o fim de tudo. Pau amigo é coisa de sapatona.
Enfim, mas voltando ao meu melhor amigo. Esse ser maravilhoso que mexe no meu cabelo, e paga tudo, e me elogia, e me abraça, e me aperta e vem aqui em casa sempre tão perfumado e tomamos vinho e falamos de tudo e...simplesmente não rola pau… ahhh... eu acho que vou matar esse idiota.

[ Tati Bernardi]

11 de abril de 2009

Audrey Kawasaki

Misterioso, Sedutor e com uma essência inocente. Assim poderia descrever o trabalho da artista plástica Audrey Kawasaki, uma japa de Los Angeles.

Ela costuma pintar suas obras em madeira quase sempre em cores discretas, seguindo uma mistura de Mangás, Comics e Art Nouveau, como perfeitas lolitas sedutoras em posturas sinuosas. Fiquei fascinada ao conhecer seu trabalho, este ar misterioso que me lembra muito o ar dos papéis de carta que colecionava quando era pequena.

Vale a pena conferir o trabalho desta japinha que pinta sempre agachada no chão, geralmente do seu quarto.

Confira! Audrey Kawasaki.com/

10 de abril de 2009

Coisas da internêê ...

Falta de sono juntamente com a vontade insana de descansar no feriado, nos deparamos com algumas bobagens na rede... eu clico na velocidade de três vibradores, e você???

1 de fevereiro de 2009

"A partir daí, foi alvo de abordagens incessantes de homens de todas as idades, e minha impressão é de que cedia a todos, sem exceção, ao passo que eu exercitava minha seletividade com grande determinação. "Tu as besoin de baiser avec quelqu'un, Anita", me dizia ao perceber que eu estava com raiva do mundo, e ela tinha razão, eu tinha que ter dado para muito mais caras do que dei nessa vida e isso me fazia falta agora. Julie não se apegava aos homens, e o sexo para ela era sobretudo uma questão de vaidade. Cada homem comido não passava de uma afirmação de sua beleza e elegância de movimentos. Não trepar era sinônimo de estar feia e desengonçada como nos anos adolescentes."

(Daniel Galera - Cordilheira)

24 de janeiro de 2009

Não precisa fazer sentido... apenas sinta!


"Pode ser que ... toda essa vulnerabilidade seja fruto de algo que se esconde dentro de mim.
Não posso negar, qualquer mistura de sentimentos com química me mostra aquilo que se esconde, voce ja notou isso??
O engraçado é tapar e enxergar, é sentir e segurar, é se soltar e não ter freios. Voce ja se sentiu sem limites?

Fundamental e sem perder a essencia, por mais que tudo se misture, sente que nada mudou. Já no balcão... - Mais uma dose por favor, e traga flores!

Passa rápido.

Aproveitar enquanto não amanhece, enquanto não viro abóbora. Pq tenho necessidade da noite, assim como as plantas do dia."

(Kah Magalhães - mais uma dose 08/2008)

"Quando não estou no pêndulo insuportável de devorar ou vomitar, tenho meus minutos de contemplação. As coisas lá, eu aqui. As coisas lá. Eu aqui.
E quando entendo que posso gostar de cinema sem ver filmes o tempo todo, e gostar de sumir sem fazer sexo ou dormir o tempo todo, e gostar de livros sem ler o tempo todo e amar alguém sem estar com ele o tempo todo, entendo o mais maravilhoso de tudo: que eu posso ser eu sem falar nisso o tempo todo.
E fim de papo."


(Tati Bernardi - As coisas lá 01/2009 )

7 de outubro de 2008

As Cores do Meu Dia Sem Cor



Bom dia, odeio o barulho do despertador.
Bom dia, odeio passarinho na janela.
Bom dia, odeio sol na planta.
Bom dia, odeio o modo como você diz: - Olá!
Bom dia, odeio saber que o ódio passa e eu fico aqui com o bom dia.

Passado. Nada. Vago. O arco-íris. Cores, ah as cores!

Ontem fui em um lugar que me traz boas lembranças, queria voltar no tempo. e voltei. Lá eu estava na companhia de um vira lata de um olho só. Ele aparentava ser saudável, mas não saia do lugar. Me coloquei no lugar daquele vira lata, na sargeta, sozinha, pensando, depois parei olhei o posto de gasolina. Tinha aquele boneco, tão vazio e tão cheio de vento e como eu já sabia com aquele sorriso irônico. Pobre cachorro. Pobre boneco. Pobre ciclo. Pobre sarjeta.
Come os vermes ou vomita? Fingir de morta ou brincar pra sempre? São dúvidas.
Meu céu está nublado. Onde estão as cores? Cadê o arco-íris? Ah, bom dia! Eu sou o gosto seco de Jack.
Lava o rosto. Encanto ainda rima com enquanto. Sempre vai rimar.
Quantas vezes assisti em silêncio contemplares meus erros. E, ah sim! Foram erros, mas erros muito bem sucedidos, convenhamos.
Por favor, mais uma dose!
E errar é uma arte. Para alguns uma frivolidade da inconseqüência, para outros, filosofia de vida. E foram "senhores erros", embora não o suficientes.

Errando. Caminhando. Vivendo.

Ah, o amargo gosto da vida com o prazer insano de viver.

( sem cor 05/2007)